Portugal Digital
28 de maio 2010
Da Redação
Lisboa - O presidente do BES Investimento, José Maria Ricciardi, afirmou que na brasileira Vivo "o preço não é uma questão" e para a Portugal Telecom, da qual o Banco Espírito Santo (BES) é accionista, "a chave é ficar no Brasil".
José Maria Ricciardi indicou à agência Bloomberg que o futuro do relacionamento entre a PT e a Telefónica (o grupo espanhol detém 10% do português) passa, no Brasil, por caminhos separados. "A única solução que vejo é encontrar uma forma para a Portugal Telecom e para a Telefónica terem investimentos importantes no Brasil que não sejam na mesma empresa", disse o executivo do BES Investimento.
O BES, um dos elementos do núcleo duro de accionistas da PT, está atento ao surgimento de potenciais novos accionistas que reforcem a base de accionistas de referência da operadora portuguesa e que a protejam de uma eventual oferta pública de aquisição (OPA).
"Posso assegurar que há pessoas interessadas do Médio Oriente até à Ásia", disse José Maria Ricciardi à Bloomberg.
A incerteza sobre se a Telefónica avançará com uma oferta sobre a PT mantém-se, depois de os 5,7 mil milhões de euros oferecidos pela posição da PT na brasileira Vivo terem sido rejeitados de imediato.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, já deu sinais de que o Estado não prescindirá do uso dos direitos especiais que tem na PT, ainda que a sua "golden share" seja mal vista pela Comissão Europeia.
Na visita ao Brasil José Sócrates afirmou, segundo a imprensa portuguesa, que "as ‘golden share' existem para ser utilizadas se for caso disso". "Pois concerteza que não hesitarei em utilizar a ‘golden share'", disse o primeiro-ministro português.
"Para ser uma empresa grande, se tiver uma ambição de participar naquilo que é a economia global, a empresa terá de estar presente em vários continentes, como a PT. A PT está em África, no Brasil, tem posição em vários mercados internacionais, e nós queremos que continue assim, porque só com dimensão e escala é que fomenta em Portugal os projectos que são necessários na área da inovação, da engenharia e das áreas industriais, da ciência e desenvolvimento", defendeu José Sócrates, citado pelo "Diário Económico".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL