Portugal Digital - Brasil/Portugal
07 de junho 2010
Da Redação
Em discurso pronunciado na cerimônia de posse, Carlos Costa enfatizou que Portugal soube beneficiar da entrada na Zona do Euro, mas que não efectuou os ajustamentos necessários.
Lisboa - O economista Carlos Costa assumiu, nesta segunda-feira (7), as funções de governador do Banco de Portugal, em substituição de Vítor Contâncio. Para Carlos Costa, Portugal tem de adoptar, com urgência, novas políticas salariais.
Em discurso pronunciado na cerimônia de posse, Carlos Costa enfatizou que Portugal soube beneficiar da entrada na Zona do Euro, mas que não efectuou os ajustamentos necessários.
"A crise financeira internacional, que teve início em Agosto de 2007 e se tornou na mais grave dos últimos 75 anos, adquiriu recentemente características especialmente agudas na área do euro, onde gerou uma ruptura súbita dos equilíbrios e dos princípios aceites ainda há dois meses, com fortes reflexos na economia e no sistema bancário nacionais. Há que tirar algumas lições do desenrolar destes acontecimentos, embora não possam ainda prever-se, na totalidade, as suas consequências últimas", afirmou.
O novo governador do BdP destacou que Portugal ao adoptar o euro como moeda beneficiou da “melhoria das condições de financiamento das empresas e das famílias, tanto em termos de preço como de volume, e, como reflexo, uma maior capacidade de endividamento”. No entanto, disse, “a apropriação dos benefícios da participação no euro foi, em geral, mais célere do que a interiorização, por parte dos diferentes actores económicos e sociais, das regras de formação de salários e preços compatíveis com a estabilidade de preços, assistindo-se, por isso, à tendência para a deterioração das condições de competitividade da economia”.
Segundo Carlos Costa, "a conjugação, por um lado, de um acesso mais fácil ao financiamento e de uma maior capacidade de endividamento dos diferentes agentes económicos e, por outro, de uma menor competitividade da economia, causou a deterioração do saldo da balança de transacções correntes, crescentes necessidades de financiamento externo e, em consequência, um maior endividamento externo, público e privado".
É por isso "imperioso e urgente demonstrar aos agentes financiadores externos que as trajectórias de endividamento são sustentáveis. Para tal, há que ajustar gradualmente mas com determinação as necessidades de financiamento externo à intensidade da restrição que defrontamos e que se manifestará com tanto mais premência quanto menor a confiança que os agentes financiadores julgarem poder depositar no País".
Esta garantia que é necessário dar aos mercados passa necessariamente pelo reforço da poupança interna, tanto pública como privada, e pelo aumento da competitividade da economia", adiantou.
"A crise financeira internacional, que teve início em Agosto de 2007 e se tornou na mais grave dos últimos 75 anos, adquiriu recentemente características especialmente agudas na área do euro, onde gerou uma ruptura súbita dos equilíbrios e dos princípios aceites ainda há dois meses, com fortes reflexos na economia e no sistema bancário nacionais. Há que tirar algumas lições do desenrolar destes acontecimentos, embora não possam ainda prever-se, na totalidade, as suas consequências últimas",
No seu discurso, Carlos Costa defendeu ser necessário fazer a “reposição da competitividade do sector de bens transaccionáveis, para garantir a sustentabilidade do crescimento económico e a criação de emprego”.
Disse também ser importante fazer “uma maior aposta no aumento do valor acrescentado por activo, quer através do aumento da produtividade quer através da transformação mais rápida dos sectores produtores de bens transaccionáveis e do reforço da eficiência dos sectores não transaccionáveis”.
Para Carlos Costa, Portugal tem de adoptar novas políticas salariais. “É necessário ter presente, por isso, que as enormes vantagens da estabilidade de preços e da participação na área do euro, de que os agentes económicos rapidamente se apropriaram, têm como contrapartida inexorável um ajustamento dos comportamentos de formação de salários e de alocação do rendimento”.
“O ritmo deste ajustamento, no presente contexto de crise internacional, terá de ser acelerado de forma determinada e credível, sob pena de pôr em causa o processo de retoma da economia portuguesa”.
“A redução consistente e credível do défice público, o aumento da poupança privada e o incremento das exportações são hoje pilares incontornáveis de uma política de crescimento sustentado da economia portuguesa”, defendeu o novo governador do Banco de Portugal.
"É urgente demonstrar aos agentes financiadores externos que as trajectórias de endividamento são sustentáveis. Para tal, há que ajustar gradualmente mas com determinação as necessidades de financiamento externo à intensidade da restrição que defrontamos e que se manifestará com tanto mais premência quanto menor a confiança que os agentes financiadores julgarem poder depositar no País", disse.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL