28 de junho 2010
Jorge Horta, Portugal Digital
Lisboa - A Portugal Telecom, que controla a brasileira Vivo juntamente com a espanhola Telefónica, realiza esta semana um dos mais importantes encontros de accionistas dos últimos anos. Na assembleia de quarta-feira, 30, os investidores irão votar sobre se a PT deve ou não vender a sua posição na Vivo à Telefónica. Mas desde que o grupo espanhol melhorou a sua oferta pela Vivo de 5,7 para 6,5 mil milhões de euros o impacto nas acções da PT foi reduzido: apenas valorizaram 1%.
A 1 de junho a Telefónica anunciou um reforço da oferta que já havia feito semanas antes. O grupo espanhol acrescentou, nesse dia, 800 milhões de euros à proposta para ficar com o controlo a 100% da Brasilcel, a "holding" que controla dois terços do capital da Vivo.
Mas esses 800 milhões a mais produziram poucos efeitos nas acções da PT. O título do grupo português de telecomunicações valia 8,465 euros a 1 de junho. Na última sexta-feira encerrou a 8,55 euros. Uma valorização de 8,5 cêntimos por acção, ou pouco mais de 1%.
A subida das acções da PT traduziu-se numa valorização bolsista do grupo luso que não chega a 10% do montante que a Telefónica acrescentou à sua oferta pela Vivo. Desde o início do mês a capitalização bolsista da PT subiu pouco mais de 76 milhões de euros.
Por outro lado, se analisada a evolução das acções da PT desde que a Telefónica anunciou a sua oferta inicial, de 5,7 mil milhões de euros, os ganhos são significativos. Na véspera do lançamento desta oferta de compra da Vivo os papéis da PT cotavam a 6,48 euros. Houve, desde então, uma valorização de 31,9%, que se reflectiu num acréscimo da capitalização bolsista de 1,85 mil milhões de euros.
O resultado da assembleia geral de quarta-feira é imprevisível, dada a dispersão da estrutura accionista da PT. Mas são já conhecidos os posicionamentos de alguns accionistas de referência. É o caso da Ongoing, que tem 6,77% da PT, e irá votar contra a oferta da Telefónica. Também a estatal Caixa Geral de Depósitos, detentora de 7,3% do capital, votará contra, por orientação do Governo português.
Os accionistas com participações qualificadas na PT (acima dos 2%) somam mais de 55% do capital (o restante são investidores com posições inferiores a 2%).
Accionistas de referência da Portugal Telecom:
Grupo Espírito Santo: 7,99%
Brandes: 7,89%
CGD: 7,3%
Ongoing: 6,77%
UBS: 5,84%
TPG: 4,24%
Visabeira: 2,01%
Barclays: 2,48%
Deutsche Bank: 2,36%
Blackrock: 2,35%
Controlinveste: 2,28%
Norges Bank: 2,13%
Telefónica: 2,02%
Fonte: PORTUGAL DIGITAL