15 de agosto 2010
Lisboa - O líder do Partido Social Democrata (PSD), Pedro Passos Coelho, disse, durante uma festa do seu partido, no Algarve, região sul de Portugal, que o presidente da República, Cavaco Silva, está a tempo de dissolver o Parlamento, abrindo caminho à realização de eleições.
"Se o Partido Socialista quer continuar a fazer de conta que não é Governo ou que é Governo de gestão, se quer continuar com desculpas, então é melhor que enquanto o Presidente da República tem os seus poderes intactos, que devolva a palavra aos portugueses, tem até dia 9 de Setembro para o fazer", disse Pedro Passos Coelho, que lidera o maior partido de oposição ao governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista.
Na Festa do Pontal, tradicional encontro de apoiantes do PSD durante as férias de Verão, Pedro Passos Coelho provocou: "se não o fizer que se comporte à altura daquilo que são as suas responsabilidades de Governo e que não ande à procura ode desculpas, nomeadamente de não ter a maioria absoluta ou de culpar a oposição pela falta de ambição e de audácia".
Segundo o líder do PSD, não se trata de um ultimato ao Executivo mas sim de "um aviso claro".
Na mesma ocasião, Pedro Passos Coelho escolheu a Justiça como foco dos seus ataques ao governo.
"Não é o PSD que tem hoje responsabilidade no caos em que se transformou a justiça em Portugal. Nós temos um Governo que faz de conta que o que se passa na justiça não é com ele, mas a verdade é que nunca houve tanta interferência política e má como há hoje em Portugal", disse.
O discurso de Passos Coelho já foi alvo de críticas de outros dirigentes políticos portugueses. Para o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, o discurso do líder do PSD não é mais que "um tiro de pólora seca".
"Se o PSD estivesse de facto verdadeiramente interessado numa crise institucional e em eleições não tinha, em primeiro lugar, votado ou viabilizado o Orçamento do Estado e, em segundo lugar, até foi mais longe, porque poderia ter-se abstido em relação ao Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) e às suas medidas adicionais", afirmou, domingo (15),Jerónimo de Sousa, citado pela rádio TSF.
Em declarações aos jornalistas , em Monte Gordo, no sul do país, após encontro com militantes comunistas, Jerónimo de Sousa disse que o PSD, "em relação às medidas adicionais do PEC, votou a favor e não quer crise nenhuma" e "procura com sentido de voz grossa fazer um convite ao Partido Socialista para aprofundar a política de direita em termos orçamentais, designadamente em relação ao investimento e serviços públicos".
"E nesse sentido, quando nós desdramatizamos, é porque o PSD está interessado em que o PS vá limpando o terreno e faça no governo aquilo que é mais doloroso para os trabalhadores e o povo, abrindo caminho à alternância e não a uma verdadeira alternativa", afirmou o secretário-geral do PCP.
"O PSD disse que não votaria a favor, mas como é sabido bastaria uma abstenção do PSD para que esse orçamento passe. Está a fazer o que compete a um partido de direita, que é exigir mais política de direita, mas daí até àquela dramatização da crise institucional até ao dia 8 ou 9 de Setembro, é de facto um tiro de pólvora seca", disse Jerónimo de Sousa.
Vários dirigentes e parlamentares do Partido Socialista acusaram, entretanto, Pedro Passos Coelho de estar a querer criar um ambiente de crise política.
Para o parlamentar socialista Vitalino Canas, o PSD quer criar "um ambiente de crise política" que conduza à a realização de eleições antecipadas.
"O PSD pelos vistos está a preparar-se através de ultimatos para criar um pretexto para que haja uma crise política e eleições antecipadas. São declarações que têm sobretudo uma cristalina manifestação do PSD que pretende provocar uma crise política", afirmou.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL