23 de agosto 2010
Lisboa - Os economistas portugueses Silva Lopes e Ricardo Reis manifesam preocupações comuns em relação ao futuro da economia lusa. Embora pertencendo a gerações diferentes, os dois especialistas identificaram, numa entrevista ao "Diário Económico", problemas semelhantes.
"Ainda não fazemos ideia das dificuldades que nos esperam", afirmou Silva Lopes. O antigo ministro das Finanças diz ser necessário um "choque tremendo" porque "o país não pode pensar que consegue continuar a viver de endividamento externo".
Silva Lopes apontou uma "falta de capacidade competitiva internacional muito grave" e "um problema de falta de poupança gravíssimo", referindo que "não sabemos disciplinar a evolução salarial", nem "temos poder político para dominar os grupos de interesse". Um diagnóstico com o qual Ricardo Reis, de uma nova geração de economistas portugueses, diz concordar.
Ricardo Reis, com um percurso académico feito fora de Portugal e sem experiências governativas, apontou ao "Diário Económico" que o que vê em Portugal é "um país que não cresce", acrescentando que "tem havido um erro muito grande de Bruxelas" quando exige uma consolidação rápida.
Silva Lopes deixa outro reparo à actuação do Estado. "Ainda nem começámos a consolidação orçamental", alerta o antigo ministro português.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL