31 de Agosto 2010
Jorge Horta
Lisboa - A Unidas, empresa brasileira do grupo português SAG, fechou o primeiro semestre com um prejuízo de R$ 35,5 milhões, equivalente a 15,1 milhões de euros, obrigando o grupo a assumir perdas de 10 milhões de euros neste período. Em 2009 a Unidas havia registado um lucro de R$ 0,7 milhões (0,2 milhões de euros) no semestre.
A SAG explica no comunicado de resultados que na sua operação no Brasil "houve que registar amortizações adicionais que totalizaram cerca de R$ 54,5 milhões (23 milhões de euros)" e que determinaram que a contribuição da Unidas para o resultado líquido do grupo fosse negativa.
Essas amortizações estão relacionadas com a trajectória de preços no mercado brasileiro. "Os preços que vigoraram no mercado de viaturas semi-novas e usadas não se alteraram em relação aos que se verificaram no último trimestre de 2009, e situaram-se significativamente abaixo das estimativas que serviram de base à determinação das rendas dos contratos de "Renting" originados antes do final de 2008 que se venceram no período", refere a SAG.
No plano operacional a Unidas conseguiu crescer no primeiro semestre. O volume de negócios csceu 12,1% face a 2009, alimentado pelo aumento do número de viaturas semi-novas e usadas vendidas e pelo crescimento do número de diárias de "rent a car".
A Unidas fechou o semestre com um aumento de 11,8% do EBITDA (lucro antes de impostos, depreciações e amortizações), em resultado do aumento da receita e de algumas medidas de contenção de custos.
Por outro lado, a companhia conseguiu reduzir em 6,1% os custos financeiros, beneficiando da diminuição do endividamento líquido em relação ao primeiro semestre do ano passado.
SAG não confirma intenção de vender Unidas
Além dos resultados do grupo, esta terça-feira ficou marcada por uma notícia do jornal "Valor Econômico" segundo a qual a SAG estaria a preparar a venda da Unidas, em função dos maus resultados da participada brasileira. A SAG reagiu ao final do dia com um comunicado que não confirma essa notícia... mas também não a desmente.
A empresa portuguesa assinala que já em anteriores comunicados de resultados indicou que "a fim de poder desenvolver uma estratégia de crescimento da Unidas que lhe permita aproveitar as enormes oportunidades que o mercado lhe irá oferecer nos seus dois segmentos de negócio – Rent-a- Car e Fleet Management – a SAG está hoje a desenvolver um conjunto de acções que permitam assegurar à empresa a possibilidade de um crescimento saudável e, em simultâneo, captar de uma forma material para a SAG a criação de valor associado a esse crescimento".
"No conjunto de acções referidas no parágrafo anterior não estão actualmente consideradas quaisquer medidas que impliquem a venda das acções que presentemente são detidas, directa e indirectamente, pela SAG", destaca o grupo português.
Perspectivas para o Brasil são positivas
A SAG explica que a sua estratégia de criação de valor para o futuro "baseia-se, hoje, na consolidação e melhoria relativa da sua posição no mercado automóvel português e no aproveitamento do período de crescimento e expansão económica previsível para o Brasil nos próximos anos, tirando partido da posição única que detém naquele mercado quer em temos de dimensão da empresa, da sua implantação nacional e da notoriedade da sua marca".
Relativamente a 2010, a SAG prevê que os resultados da Unidas continuarão a sofrer, até ao final do ano, "o impacto de elevadas amortizações", que resultam da finalização dos contratos de "Renting" que foram originados até 2008.
"Com a progressiva redução do peso destes contratos na carteira da Unidas, esta situação deverá deixar de ter impacto nas contas da Unidas antes do final de 2010, o que permitirá a inversão da contribuição desta subsidiária para os resultados consolidados da SAG", diz o grupo luso.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL