27 de agosto
Lisboa - A Sonae, grupo português que no Brasil mantém o negócio de desenvolvimento de "shoppings", depois de ter abandonado a operação de supermercados e de indústria da madeira, olha para o futuro com prudência. A estratégia daquele que é um dos maiores grupos económicos lusos vai continuar a passar pelo corte de custos.
"Temos de ser prudentes. A Sonae viveu os últimos 12 meses num clima económico com PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), com ‘ratings' a baixar e nós contratámos 2.377 trabalhadores. Se a abertura das grandes superfícies ao domingo à tarde for aprovada no segundo semestre, vamos criar várias centenas de postos de trabalho exclusivamente com a mudança do horário. Olhamos para o futuro de forma prudente, mas positiva", disse Luís Reis, administrador da Sonae, ao "Diário Económico".
De acordo com o jornal português, um dos focos da Sonae contiuará a ser a expansão das suas redes de lojas próprias, algumas das quais já presentes em Espanha. Mas em Portugal o grupo vai a partir de agora apostar em explorar as lojas sem ser dono dos imóveis, como forma de diminuir os custos de investimento.
"O espaço para mais lojas em Portugal não é gigantesco. A maioria do investimento em distribuição moderna está feito. Mas continua a haver oportunidades", comentou ainda Luís Reis.
Já ao "Jornal de Negócios" o mesmo Luís Reis enfatizou a necessidade de proteger a rentabilidade do grupo. "Crescer, mantendo, ou se possível aumentar, a rendibilidade" é o objectivo traçado pelo administrador do grupo Sonae.
Além de Espanha, a Sonae está a estudar o potencial do mercado de Angola. Uma decisão sobre entrar ou não na distribuição em Angola deve chegar até final do ano. "A Sonae está a ultimar o estudo sobre o mercado de retalho alimentar em Angola, até porque Portugal já não tem muito espaço para novas lojas", disse o administrador da Sonae citado pelo "Diário Económico". "Neste momento o parceiro está identificado, estamos a ver qual a melhor abordagem ao mercado e a finalizar o estudo de mercado", completou Luís Reis.
No primeiro semestre a Sonae obteve lucros de 41 milhões de euros, recuperando dos prejuízos de 28 milhões de euros atingidos no mesmo período do ano passado. O volume de negócios do grupo subiu 6,5%, para 2,77 mil milhões de euros, e o EBITDA cresceu 10,2%, para a marca de 305 milhões de euros.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL