Brasília – O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, segunda-feira (18), duas medidas para conter a crescente valorização da moeda brasileira ante o dólar. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) passou de 4% para 6% sobre investimentos de estrangeiros em renda fixa e a alíquota do IOF cobrado sobre a margem de garantia dos investimentos estrangeiros no mercado futuro aumentou de 0,38% para 6%.
De acordo com o ministro, há um apetite muito grande da parte dos investidores estrangeiros. Só em setembro entraram no Brasil US$ 16 bilhões. Também na última semana houve um forte ingresso de capital estrangeiro.
Mantega disse ainda que nas conversas, na semana passada, em Washington, percebeu que há um número significativo de grandes fundos estrangeiros querendo desembarcar no Brasil. "Para fazermos o moderador de apetite estamos avisando que quem vier investir no Brasil vai ganhar menos e que deve olhar também para outros países", disse, dando como exemplo a Austrália.
Segundo Mantega, atuar sobre esse mercado é fundamental para conter a alta do real. A taxa de câmbio é formada fundamentalmente no mercado de derivativos. O capital especulativo de curto prazo será o que mais sofrerá com os aumentos das taxas, segundo o ministro. “Nós queremos diminuir o apetite, principalmente dos aplicadores de curto prazo”.
"O que queremos é diminuir o apetite dos aplicadores estrangeiros de curto prazo. Aqueles que vêm aplicar de dois a três anos pagarão o IOF, mas não devem parar de investir no Brasil", afirmou o ministro.
De acordo com o ministro da Fazenda, o estoque do volume de margem na BM&Bovespa é de US$ 20 bilhões e esse montante pode lastrear US$ 200 bilhões.
Mantega disse que não há garantias de que a desvalorização da moeda norte-americana em relação à brasileira acabará. “Estamos atenuando o excesso de valorização”. Para o ministro, a medida anterior de aumentar o IOF de 2% para 4%, no dia 4 de outubro, sobre os investimentos estrangeiros, não foi ineficiente. Na avaliação dele, sem essa atitude, a valorização do real teria sido ainda maior.
Novas medidas para conter a alta do real não estão descartadas, de acordo com Mantega. “Temos que dosar o remédio de modo que ele não seja excessivo”, disse ao defender que as medidas em relação ao câmbio sejam graduais.
O ministro disse, no entanto, que uma solução definitiva para a “guerra cambial” passa por um acordo internacional para regular o tema. “Vamos ter que achar uma solução em conjunto”.
Como medida adicional para conter a desvalorização do dólar, o governo vem comprando dólares no mercado à vista. A moeda norte-americana fechou segunda-feira (18) cotada a R$ 1,666.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL