Lisboa - É em Belém, mas não no palácio que lhe serve de residência oficial, que Cavaco Silva apresenta hoje a sua recandidatura à Presidência da República. O chefe de Estado português escolheu o Centro Cultural de Belém, o mesmo palco de há cinco anos, para formalizar o seu lançamento para as eleições de janeiro de 2011.
Cavaco Silva falará das razões que o levam a recandidatar-se hoje à noite, num contexto de clima político conturbado, em resultado da indefinição quanto ao Orçamento do Estado para 2011. O governo do Partido Socialista (PS) e a oposição do Partido Social Democrata (PSD, do qual Cavaco Silva faz parte) têm estado desde sábado a negociar pontos de convergência em matéria orçamental.
Mas nem as duas reuniões de sábado e domingo no Parlamento nem o encontro de ontem chegaram para que PS e PSD chegassem a acordo sobre as linhas concretas de consolidação orçamental que façam o PSD viabilizar a proposta do Governo. O Orçamento do Estado para 2011 apresentado dia 15 trouxe mais cortes do lado da despesa do Estado, mas também alguns aumentos de impostos, que não agradaram ao PSD.
Cavaco Silva deverá aproveitar o seu discurso de recandidatura para sublinhar a gravidade da situação económica do país. São já várias as vozes que consideram que Portugal teria mais a ganhar com a entrada do Fundo Monetário Internacional do que com o actual clima de indefinição.
É possível que às 20h, quando Cavaco Silva falará ao país, PS e PSD já tenham chegado a um entendimento orçamental. Mas também é de admitir que não haja acordo.
Seja como for, Cavaco já se fez rodear de algumas individualidades importantes. O "Público" refere que além do antigo presidente Ramalho Eanes, Cavaco Silva deverá contar com o ex-dirigente do CDS António Lobo Xavier, mantendo os mandatários da candidatura de há cinco anos, como João Lobo Antunes, Medina Carreira e a fadista Kátia Guerreiro.
Cavaco Silva tem alertado sucessivamente, nos seus discursos, para a crise que Portugal atravessa e para a necessidade de os portugueses exercerem a cidadania, terem espírito empreendedor e não baixarem os braços.
Com o país debaixo de fogo dos mercados financeiros, à espera de um entendimento político que ainda não é certo, resta saber se o Presidente da República encontrará outros temas discursivos além dos que têm pautado as suas intervenções.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL