A situação económica e financeira do país agravou-se nos últimos dias depois de Sócrates e Passos Coelho, presidente do PSD, não terem conseguido ultrapassar as divergências em torno do Orçamento.
Lisboa - O presidente de Portugal, Cavaco Silva, reúne nesta sexta-feira, no Palácio de Belém, o Conselho de Estado - órgão de consulta do chefe de Estado -, para analisar a crise financeira e económica em que o país está mergulhado.
Em discussão estará também o impasse entre o Governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista, e o Partido Social Democrata (PSD), principal partido da oposição, em torno da aprovação do Orçamento do Estado para 2011.
No último dia útil antes do final do prazo para Governo e PSD chegarem a um entendimento para a viabilização do Orçamento, Cavaco quer aumentar a pressão sobre os líderes partidários para um acordo orçamental que evite a abertura de uma crise política.
A situação económica e financeira do país agravou-se nos últimos dias depois de Sócrates e Passos Coelho, presidente do PSD, não terem conseguido ultrapassar as divergências em torno do Orçamento.
Vários analistas consideram, no entanto, que os principais obstáculos deverão ser ultrapassados nas próximas horas, em resultado das pressões de vários sectores, nomeadamente das confederações empresariais, dos banqueiros e também de entidades europeias, como a chanceler alemã Angela Merkel.
Na quinta-feira, o clima de incerteza fez chegar os juros das obrigações portuguesas a dez anos a 5,997% e nas obrigações a cinco anos a alta é de 7,2 pontos para 4,699%. No prazo de dois anos, a taxa de juro progride 4,9 pontos para 3,243%.
Os juros da dívida pública portuguesa continuam elevados, tendo chegado a 6%. Para alguns economistas, a elevada taxa de juros pode obrigar Portugal a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Para Silva Lopes, ex-ministro das Finanças, o Orçamento em discussão, com cortes de salários, congelamento de investimentos e aumento de impostos, vai criar uma recessão, mas diz que a alternativa "é pior" porque o FMI "impõe cortes de despesa ainda mais drásticos".
Em entrevista à RTP, Silva Lopes consiuderou que “se ganharmos juízo, podemos evitar o FMI por algum tempo”.
"Se não o aprovarmos lá fora deixam de nos emprestar e o Governo deixa de ter dinheiro. Pode não pagar aos fornecedores, atrasar-se a pagar aos funcionários”. “Não conheço nenhuma maneira de reduzir um défice na escala que temos que fazer sem evitar uma recessão”, afirmou o ex-ministro das Finanças.
O ex-ministro Silva Lopes disse, entretanto, recear que quanto mais medidas se tomem, mais tenham que se tomar por causa da falta de crescimento económico, o que pode levar o país para "um ciclo vicioso" que é, afirmou, "o que mete mais medo”.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL