"A mobilização política tem de ser muito mais ampla, no sentido de que o que está em causa é a nossa respeitabilidade", afirmou o presidente do Banco Espírito Santo.
Lisboa - O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, disse que "é fundamental haver um entendimento" entre os partidos políticos para aprovar o Orçamento do Estado, em nome da credibilidade e respeitabilidade do país no contexto global, de modo a evitar a vinda a Portugal do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Não faço directamente uma crítica ao governo. O que eu digo é que não se pode perder muito tempo. A mobilização política tem de ser muito mais ampla, no sentido de que o que está em causa é a nossa respeitabilidade", afirmou Ricardo Salgado no programa Grande Entrevista, na RTP.
O banqueiro português disse ainda que "os políticos estão a mobilizar-se em campanhas eleitorais de curto prazo, quando o que está em causa é a credibilidade do país em termos internacionais".
Quanto à escalada dos juros cobrados pela dívida pública portuguesa, que já passaram dos 7%, Ricardo Salgado admitiu que "teria sido melhor que [o ministro das Finanças] não tivesse falado na taxa dos 7%", como patamar a partir do qual Portugal estaria mais sujeito a uma eventual intervenção do FMI.
"Bancos portugueses têm um comportamento admirável"
O presidente do BES também destacou, na mesma entrevista à RTP, que "os bancos portugueses estão bem". "Isso é que é extraordinário. Têm tido um comportamento admirável desde o início da crise", declarou Ricardo Salgado.
"Os bancos portugueses estão hoje internacionalizados. Em termos de actividade doméstica, a actividade tem-se contraído, mas isso não impede que globalmente os bancos portugueses estejam bem", avaliou o banqueiro.
O presidente do banco luso também voltou a atacar as agências de rating. "As agências de rating, todas elas, desconsideraram o facto de os bancos portugueses terem tido um comportamento exemplar durante a crise", acusou Ricardo Salgado, referindo que essas mesmas agências "contribuíram muito para a dificuldade no acesso aos mercados de capitais".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL