O líder da CGTP, Carvalho da Silva, e o líder da UGT, João Proença, afirmaram que mais de três milhões de trabalhadores participaram no protesto num universo de quatro milhões.
Lisboa - As centrais sindicais portuguesas CGTP e UGT, organizadoras da greve geral que paralisou, quarta-feira (24), grande parte dos sectores de actividade do país, afirmam que mais de três milhões de trabalhadores aderiram à greve.
Numa conferência de imprensa, o líder da CGTP, Carvalho da Silva, e o líder da UGT, João Proença, afirmaram que mais de três milhões de trabalhadores participaram no protesto num universo de perto de quatro milhões.
As duas centrais sindicais que se uniram na organização da greve geral pela primeira vez após 22 anos admitem que poderão deesnvolver novas formas conjuntas de luta. Carvalho da Silva e João Proença consideraram a greve como o protesto com maior impacto até hoje realizado no país.
A convocação foi decidida na sequência das medidas de austeridade adoptadas pelo governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista, e apoiadas pelo principal partido da oposiçao, o Partido Social Democrata (PSD), liderado por Pedro Passos Coelho, para fazer face ao agravamento da crise económica e financeira em que o país está mergulhado.
Entre as medidas adoptadas e contidas no Orçamento de Estado para 2011 estão o congelamento de investimentos públicos, cortes salariais na administração pública e nos subsídios sociais. As medidas são consideradas recessivas pelos sindicatos, que acusam o governo de agravar a já difícil situação social do país, com mais de 600 mil desempregados.
Enquanto as centrais sindicais comemoram a dimensão do protesto, o governo do primeiro-ministro do Partido Socialista, José Sócrates, procura minimizar o alcance da greve. De acordo com a ministra do Trabalho, a participação teria sido inferior a 20 por cento.
Depois da greve, apelo ao diálogo
Dpeois dos principais dirigentes dos partidos da oposição de esquerda ao governo do PS, nomeadamente do PCP e do Bloco de Esquerda, terem destacado a adesão e o significado político da greve, parlamentares socialistas consideram que governo e sindicatos têm de voltar à mesa de negociações.
Segundo a deputada socialista Maria José Gamboa, citada pela rádio TSF, a partir desta quarta-feira abre-se "uma outra dimensão para os trabalhadores portugueses" que é "em sede de concertação, construir um novo rumo para uma situação de crise muito violenta que atinge Portugal".
"O ponto de partida pode ser de qualquer um: já assistimos ao Governo convocar parceiros sociais e já assistimos a que os parceiros sociais convoquem o Governo para a construção de soluções. A parceria é exactamente isso".
"Os parceiros sociais são absolutamente determinantes na construção de uma solução colectiva". Para a parlamentar do PS, quer os parceiros sociais quer Governo "podem dar o pontapé de saída para voltarmos à construção, em concertação social, de soluções para Portugal".
Líder do CDS diz que greve geral confirma insatisfação
O líder do CDS, partido da direita conservadora, Paulo Portas disse que os que "estão a levar a cabo esta política" têm de retirar a mensagem que fica desta paralisação. Paulo Portas disse que "foi o primeiro a dizer que havia muita insatisfação no país, o que levou muita gente a fazer esta greve".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL