Montante de capitais que deram entrada na empresa constituída no Brasil até novembro é dez vezes superior ao registrado em 2009 pelo Banco Central.
Jorge Horta
Brasília – O Banco Português de Negócios (BPN), que foi nacionalizado pelo Estado português há dois anos e que o Governo tem procurado vender, já injectou no BPN Brasil mais de US$ 71 milhões este ano, segundo as informações recolhidas pelo Portugal Digital junto do Banco Central do Brasil. A verba corresponde a dez vezes os capitais enviados para a sua participada brasileira no ano passado.
A mais recente transação é de novembro, mês em que de Lisboa saíram US$ 6 milhões rumo ao BPN Brasil Banco de Investimento. No mês passado também o Banco Africano de Investimento (BAI) enviou US$ 5 milhões para o BPN Brasil. Nesta entidade financeira, com sede em São Paulo, o BPN tem uma participação de 80% e o BAI detém os restantes 20%.
Este ano houve meses sem quaisquer registros de transferências de capitais do BPN em Portugal para o BPN Brasil, como outubro e fevereiro. Os meses de maior atividade foram junho e julho. Em cada um deles seguiram de Lisboa para São Paulo cerca de US$ 22,5 milhões. A maior parte dos movimentos está registrado como empréstimo na base de dados em que o Banco Central aponta as entradas de capitais estrangeiros no mercado brasileiro.
Além dos US$ 71 milhões recebidos do BPN em Portugal, o BPN Brasil recebeu, nos primeiros onze meses deste ano, US$ 12,5 milhões do BAI.
No total de 2009, de Janeiro a Dezembro, deram entrada no BPN Brasil US$ 6,2 milhões provenientes do BPN em Lisboa (que não contabilizam um empréstimo de 2,25 milhões de euros do BPN para o BPN Creditus) e US$ 22,75 milhões do BAI.
No ano passado o grupo BPN teve um prejuízo de 220 milhões de euros, com várias participadas a contribuírem para o resultado negativo, incluindo o BPN Brasil Banco Múltiplo (com perdas de 4,27 milhões de euros) e o BPN Creditus Brasil (perdas de 0,9 milhões de euros).
A nacionalização do BPN foi decidida em finais de 2008 pelo Governo português e tirou o banco do controlo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), cujos gestores foram acusados de vários crimes. A decisão de nacionalização foi justificada com os receios de que uma eventual falência do BPN poderia contaminar o restante sector financeiro português.
Desde a nacionalização o Estado foi obrigado a assumir centenas de milhões de euros de perdas relacionadas com o BPN, estando o Governo à procura de soluções para a privatização do banco. O Executivo de José Sócrates chegou a abrir um processo para a venda do BPN, mas o concurso ficou deserto, por falta de interessados.
O BPN permanece, por isso, na esfera pública, estando a sua gestão a cargo de uma equipa do banco estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), sob a liderança de Francisco Bandeira.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL