"E, da mesma forma que chegou, direto de São Bernardo do Campo, para lá retorna, só que carregando mais de 80% de aprovação popular".
O título é o bordão do Presidente que deixa o cargo, reconhecido, por ele, como provocativo e, em parte verdadeiro e em outra parte, é claro, exagerado.
Eu o vi, ao vivo e a cores, pela última vez, na segunda passada, na cerimônia de inauguração do novo edifício sede do CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Emocionou-me, como habitualmente, pelo seu discurso simples e direto, onde disse ter optado por fazer o óbvio e o óbvio para um sindicalista “por objetivos”, aos moldes da AFL-CIO, é fortalecer o sistema produtivo, injetando-lhe tecnologia e promovendo inovação. Um sistema produtivo robusto gera bons empregos e proporciona bons salários, assim simples.
E com a mesma simplicidade resolveu fortalecer o mercado, inserindo milhões de pessoas na chamada classe média. Comprometido com a questão social, promoveu uma ampla política de transferência de renda, tirando outros milhões da pobreza extrema e gerando novas economias em rincões esquecidos do país.
Todas estas manobras foram realizadas num ambiente macroeconômico severo, sob a vigilância de um banqueiro respeitado por Wall Street, e é nesse ambiente que o Brasil compra a sua dívida externa e passa a credor.
Lula não imaginou poder governar só e, democraticamente, fez alianças, algumas delas objeto de críticas vigorosas, principalmente pelas esquerdas autoritárias e iluminadas.
Conseguiu ser aceito por aquele empresariado que imaginava o apocalipse iniciar-se em 2003. Foi elogiado até pelo conservador setor ruralista, que nunca tinha sentido um apoio governamental tão forte.
Obteve, ao mesmo tempo, o apoio da elite intelectual e acadêmica, a quem contemplou com 14 novas Universidades e um enorme volume de recursos para pesquisa, não contingenciável.
E brilhou, como poucos, no palco internacional. Mais uma vez, o ecletismo das relações preponderou e, como é evidente, gerou reações fortes, como no caso do Irã. A simplicidade e o óbvio da crítica sobre a insistência de uma forma equivocada da condução da política de pacificação do Oriente Médio ainda choca, mas faz refletir.
Só elogios? As falhas, as omissões, os equívocos, são inerentes a uma gestão de oito anos, mas tornam-se menos relevantes face à grandeza do governo.
E, da mesma forma que chegou, direto de São Bernardo do Campo, para lá retorna, só que carregando mais de 80% de aprovação popular e deixando o país nas mãos de uma guerreira, a segunda mulher a governar o país, mas a primeira a ser eleita.
Obrigado, companheiro!
FELIZ 2011 !!!!!!
Carlos Cristo,
Vice Presidente da Câmara de Comércio Brasil Portugal de Brasília