Banco português reduziu ganhos em 2,2% em 2010, mas continuou com uma presença forte no Brasil ao nível das operações corporativas.
Jorge Horta
Lisboa - O Banco Espírito Santo (BES) reduziu em 2010 o seu lucro para 510,5 milhões de euros, num recuo de 2,2% face ao resultado apurado no ano 2009, informou hoje a instituição financeira portuguesa, que ao longo do ano passado voltou a ter o Brasil como um dos seus principais mercados, sobretudo ao nível da banca corporativa.
O BES fechou 2010 com uma deterioração da rendibilidade dos capitais próprios (ROE), indicador que baixou dos 10% alcançados em 2009 para 8,6% em 2010, segundo revelou o banco esta segunda-feira.
No ano passado os activos totais do BES recuaram 0,9%, para 105,5 mil milhões de euros e os recursos totais de clientes caíram 7,6%, para 55,9 mil milhões de euros. Já o crédito de clientes subiu 3,3%, para 55,7 mil milhões de euros, enquanto os depósitos dos clientes cresceram 21,1%, para 30,8 mil milhões, comprovando uma apetência maior da banca para captar as poupanças dos clientes.
Por outro lado, o BES indica que "o desempenho da área internacional confirma o sucesso da estratégia de internacionalização prosseguida pelo grupo", já que o produto bancário comercial aumentou 53,2% e a contribuição para o resultado consolidado foi de 40%, quando em 2009 tinha sido de 34%.
O crescimento de 10,8% dos custos operativos reflecte, segundo o BES, o desenvolvimento da expansão internacional, pois os custos desta área registaram um aumento de 27,7%.
Brasil: assessorias financeiras, aumentos de capital e gestão de activos
Em 2010 foram várias as operações que o BES teve no mercado brasileiro, onde a sua aposta está centrada na banca de investimento e de apoio às empresas. O BES assessorou a Portugal Telecom na venda da sua participação na Brasilcel (Vivo) e no estabelecimento de uma parceria estratégica com os accionistas da Oi.
No Brasil, o banco português também prestou assessoria financeira ao consórcio formado por Furnas Centrais Elétricas, Eletrosul, NeoEnergia e Odebrecht, que venceu o leilão para venda de energia e concessão dos direitos de construção e operação da barragem de Telles Pires.
O BES esteve ainda presente em operações como os aumentos de capital da Petrobras e do Banco do Brasil, bem como em mais de uma dezena de emissões de títulos de dívida (Eurobonds e Debentures).
Ainda no mercado brasileiro, o banco português assinala "um significativo crescimento dos activos sob gestão", que aumentaram 43%, dispondo-se, para a respectiva captação, de acordos com onze entidades reguladas de distribuição de fundos. (Fonte: PORTUGAL DIGITAL)