Grupo fundado pelo milionário português António Champalimaud entregou prospecto na Bovespa e prevê produção de 4,3 milhões de toneladas após 2013.
Jorge Horta
Belo Horizonte - A Cimentos Liz, empresa com fábrica no Estado de Minas Gerais cujo fundador foi o milionário português António Champalimaud, está planejando uma oferta de ações, tendo já entregue um prospecto preliminar na Bovespa, mandatando o Itaú e o JP Morgan para realizarem a operação.
Os detalhes não foram revelados. A Cimentos Liz não indica para já nem o montante que pretende levantar junto dos investidores nem o cronograma da operação. Mas o grupo, com fábrica em Vespasiano (MG) e centros de distribuição no Estado de São Paulo, mostra que tem planos de expansão para os próximos anos.
A Cimentos Liz existe no Brasil desde 1969, ano em que foi criada a empresa Soeicom para atuar na área de mineração e fabricação de cimentos. Sete anos mais tarde, após as nacionalizações em Portugal resultantes da Revolução dos Cravos, a fábrica em Minas Gerais iniciou suas atividades, permanecendo como único ativo do grupo Champalimaud, que em 1974 tinha no mercado português negócios no aço, cimento, seguros e banca.
Foi precisamente o negócio cimenteiro em Portugal que inspirou o nome da empresa no Brasil. Tendo lançado a primeira fábrica de cimento na década de 1920 perto do rio Liz, na região Centro de Portugal, através da Empresa de Cimentos de Leiria, o grupo Champalimaud não mais deixaria de usar a marca Liz, que em 1933 era líder de mercado em Portugal e já era exportada para o Brasil.
Após a morte de António Champalimaud em 2004, o controle da empresa no Brasil foi assumido, em 2005, pelo sétimo filho do empresário português, Luís Champalimaud, que permanece à frente da Cimentos Liz.
Agora a empresa tem perspectivas de crescimento. O prospecto da oferta de ações entregue na Bovespa detalha os planos da Cimentos Liz. A empresa diz que "o momento atual do setor de cimento no Brasil é extraordinariamente favorável" para absorver o aumento da capacidade de produção, tendo em vista "o crescimento sem precedentes do setor de obras públicas e de construção civil", bem como os projetos governamentais para desenvolvimento de infraestrutura no País, principalmente com foco na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.
"Com nosso plano de modernização e expansão, já em curso, pretendemos aumentar nossa produção e eficiência operacional para aproveitar ainda mais este momento de esperado crescimento no setor", indica a Cimentos Liz.
A modernização da empresa arrancou já em 2008, prevendo duas fases de expansão. A primeira termina este ano. Em maio deve ficar concluída a instalação da 4ª moagem de cimento, com capacidade de 1,2 milhão de toneladas por ano. Até dezembro será modernizado o forno atualmente existente. A Cimentos Liz ficará então com capacidade para fabrica 3 milhões de toneladas de cimento por ano.
A segunda fase da expansão, que está já sendo preparada, com a negociação com fornecedores de equipamentos, levará a Cimentos Liz a ter, no início de 2013, uma capacidade de produção de 4,7 milhões de toneladas de cimento por ano.
Esta nova fase contempla a construção de um segundo forno com capacidade de produção de 1,6 milhões de toneladas de clínquer por ano, um moinho de cimento com capacidade de 1,2 milhão de toneladas, um conjunto de dois fornos com capacidade anual de 480 mil toneladas e um moinho com capacidade de 350 mil toneladas por ano.
"Acreditamos que a alavancagem da infraestrutura existente permite-nos realizar a expansão referida com um custo de investimento significativamente mais baixo do que um empreendimento novo", diz a Cimentos Liz, sem, no entanto, detalhar quaisquer valores para os investimentos.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL