"Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo”.
Lisboa - O presidente de Portugal, Cavaco Silva, ao assumir nesta quarta-feira (9) um segundo mandato de cinco anos, durante cerimónia na Assembleia da República, em Lisboa, fez vários alertas ao governo do primeiro-ministro José Sócrates e aos políticos, em geral.
Cavaco apelou a "uma grande mobilização da sociedade civil" e pediu aos portugueses que despertem da "letargia em que têm vivido".
“É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia”, disse Cavaco Silva.
“Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático”, afirmou Cavaco Silva, ex-primeiro-ministro eleito pelo Partido Social Democrata, principal força política da oposição ao governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista.
“Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo”.
Cavaco Silva advertiu ainda que “há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos”. “A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os portugueses não são uma estatística abstracta. Os portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz”, disse o presidente da República num discurso que causou mal-estar ao governo.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL