"Nós fazíamos alertas há já muito tempo", afirmou Fernando Ulrich em entrevista à TVI, onde não poupou críticas à forma como José Sócrates lidou com a crise.
Lisboa - O presidente executivo (CEO) do BPI, Fernando Ulrich, considera que a banca fez "sucessivos avisos" ao Governo português, mas quase sempre encontrou incompreensão desse lado. "Até certa altura o primeiro-ministro e o Governo não queriam ouvir. Uma vezes criticavam, outras vezes faziam troça [...] nós fazíamos alertas há já muito tempo", afirmou o líder do BPI em entrevista à TVI.
Fernando Ulrich não poupou críticas a José Sócrates, afirmando que considera "que a forma como reagiu a seguir as eleições de 2009, e a forma como reagiu à crise financeira a partir dessa altura foi muito infeliz". O presidente do BPI (no qual o brasileiro Itaú é o segundo maior accionista) disse ainda que a partir do final de 2009 a crise internacional começou a melhorar, enquanto em Portugal o Executivo só percebeu que "devíamos ter mudado de curso a meio de 2010".
O presidente executivo do BPI revelou que dia 4 de março foi chamado a São Bento para uma reunião com o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, durante a qual percebeu que "tínhamos chegado ao fim da linha".
"A percepção com que eu saí dessa reunião foi que o objectivo principal da reunião era para pedir aos bancos portugueses que comprassem mais dívida publica e portanto saí da reunião convencido de que tínhamos chegado ao fim da linha, que o Estado português já não encontrava compradores no mercado que não fossem os bancos e que estava ciente que ainda ia precisar mais do esforço maior dos bancos portugueses", disse Ulrich.
Na entrevista à TVI, Fernando Ulrich também deu uma ideia para o Estado arrecadar mais receita, propondo a criação de um imposto especial sobre as empresas que "tiverem lucros acima dos 5 ou dos dez milhões de euros".
"Porque é que não se aplica um imposto extraordinário sobre essas empresas? Se os bancos estão a participar com este imposto especial, porque é que as outras empresas não o podem fazer?", sugeriu o CEO do BPI.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL