Grupo português, dono da Unidas, viu a sua operação brasileira dar 35,4 milhões de euros de prejuízo em 2010, mas mantém o interesse em continuar os negócios no Brasil.
Jorge Horta
Lisboa - O grupo português SAG - Soluções Automóvel Globais, dono da brasileira Unidas, viu a sua operação no Brasil dar um prejuízo de 35,4 milhões de euros no ano passado, mais 356% do que no exercício anterior, ao contrário do negócio em Portugal, que gerou um lucro de 8,2 milhões de euros, com crescimento de 844%.
O resultado no Brasil foi afectado sobretudo por efeito de novos cálculos relacionados com amortizações da frota de veículos da Unidas e com a constituição de provisões para fazer face a eventuais perdas com clientes de cobrança duvidosa.
O volume de negócios da SAG no Brasil cresceu 28,1%, para 326,4 milhões de euros, mas esse mesmo resultado expresso em reais, sem o efeito cambial, teria tido um crescimento de apenas 8%, mostra o relatório e contas da SAG de 2010.
A actividade de "renting" da SAG no Brasil subiu 0,5%, para 80,4 milhões de euros, a de "rent a car" cresceu 41,2%, para 57,2 milhões de euros, e a de semi-novos melhorou 40,6%, para 188,8 milhões de euros.
No Brasil os custos operacionais cresceram 32,2%, para 81,1 milhões de euros. "Os custos variáveis cresceram devido ao aumento dos custos com viaturas em 18,9%", indica a SAG, referindo que isso se deveu "ao aumento do período médio de permanência dos carros na frota, que teve como consequência natural um acréscimo dos custos de manutenção das viaturas".
Já os custos de estrutura da Unidas subiram 15,1%, para 39,6 milhões de euros, o que a SAG explica com o processo de reorganização interna em 2010, com mudança de instalações e alugueres em aeroportos.
Por via da conjugação destes crescimentos do volume de negócios e dos custos, o EBITDA da SAG no Brasil registou um aumento de 14,1%, para 77,3 milhões de euros, mas sem o efeito cambial teria tido uma descida, de 67,8 para 65,3 milhões de euros.
Olhos postos na rentabilidade para inverter situação negativa no Brasil
Ao nível do EBIT, a SAG passou de 22,9 milhões de euros em 2009 no Brasil para um resultado negativo de 3,6 milhões em 2010. "O resultado da Unidas está afectado pelo aumento verificado nos custos com amortizações e pelo reforço na constituição de provisões, sobretudo para clientes de cobrança duvidosa", explica a SAG. Além disso, o resultado financeiro no Brasil também se agravou em 24,6%, para 45,4 milhões de euros negativos (o agravamento teria sido de apenas 4,5% se expresso em reais).
Quanto a perspectivas, no Brasil o grupo "vai continuar a desenvolver as acções já iniciadas com o objectivo de capitalizar na forte posição de mercado da Unidas, da maneira a que a empresa disponha dos recursos necessários para acompanhar rentavelmente as perspectivas positivas de crescimento macro-económico", indica a SAG nas contas de 2010.
Sobre a Unidas, a SAG diz que "a sua linha de actuação continuará a ter um forte foco na rentabilidade e na qualidade do serviço prestado, em detrimento do crescimento puro". A estratégia da Unidas "assentará em ganhos de eficiência através do recurso intensivo a tecnologia, bem como na simplificação de processos, e na melhoria da qualidade do serviço".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL